Famílias de presos denunciam horas em fila

Famílias de presos denunciam horas em fila e maus-tratos em Araraquara

Mães enfrentam até 8 horas para entregar mantimentos aos detentos.
Humilhação, comida estragada e castigos são algumas das queixas.

Do G1 São Carlos e Araquarara

Familiares reclamam de horas em filas para entrega de mantimentos em Penitenciária de Araraquara (Foto: Carol Malandrino/G1)Familiares relatam passar horas em filas na Penitenciária de Araraquara (Foto: Carol Malandrino/G1)

A demora para o cadastramento e pesagem na entrega do conhecido "sacolão", uma cesta com alimentos e produtos de higiene que as famílias entregam semanalmente aos detentos da Penitenciária de Araraquara (SP), tem gerado transtornos. Mães relatam que faltam funcionários para agilizar o processo, que chega a demorar oito horas, e que a Penitenciária serve comida estragada aos presos.

A Secretária da Administração Penitenciária (SAP) informou nesta quinta-feira (28) que não divulga o quadro de servidores e que todas as unidades  trabalham dentro das normas de disciplina e segurança. Em relação aos maus-tratos, informou que a denúncia não condiz com a verdade e não possui qualquer fundamento prático com o que realmente acontece na Penitenciária "Dr. Sebastião Martins Silveira".

comida penitenciária (Foto: Carol Malandrino/G1)Comida levada por familiares para os detentos
da Penitenciária (Foto: Carol Malandrino/G1)

Pessoas ouvidas pelo G1 na manhã de quarta-feira (27) relataram que o problema ocorre há mais de um ano. Além disso, os mantimentos que são levados durante a manhã para os funcionários só chegam para os presos por volta das 20h.

Uma mãe que não quis se identificar contou que o filho de 20 anos está há um ano e cinco meses preso e foi condenado há oito anos e seis meses por assalto a mão armada. Ela relatou que costumava chegar ao local de entrega dos mantimentos por volta das 7h e conseguia sair às 10h. Atualmente ela chega às 6h e, na última semana, saiu às 14h. "Não sabemos porque isso está acontecendo, normalmente ficam dois funcionários para fazer a listagem e pesagem das comidas", relatou.

Fome
Outra situação que ocorre é que muitos detentos não recebem comida dos familiares e uma sacola acaba alimentando muitos de uma cela. ‘"Tudo tem que ser pesado, se passa do peso máximo por pote eu tenho que jogar todo o alimento fora, enquanto meu filho e outros passam fome lá dentro", disse a mãe.

Segundo ela, essa checagem começou a ser feita porque muitos mantimentos mandados pelas famílias estavam sumindo. "Falam que a sociedade gasta R$ 1 mil com cada preso, mas eles comeram por quatro dias feijão com farinha, comida estragada, como peixe. E falta até água", contou.

comida penitenciária araraquara (Foto: Carol Malandrino/G1)Momento em que as famílias realizam o cadastramento dos alimentos (Foto: Carol Malandrino/G1)


Maus-tratos
Outra mãe de um detento, que está preso há três meses por corrupção de menores, disse que fica na fila para entregar os mantimentos das 6h30 até as 14h e se sente humilhada. Segundo ela, o filho recebeu uma punição assim que foi preso.

"Eles acham que somos culpadas, somos tratadas como animais, chegam até a tirar sarro por estar cuidando do meu filho. Ele chegou aqui e foi direto para o castigo, o conhecido ‘pote’, um cubículo com outros presos, sem ventilação e com uma privada", contou.

As mães se queixam ainda de humilhações durante as revistas para a visita, que ocorrem aos domingos. "Eu tenho que ficar agachando mostrando minha parte íntima e, às vezes, nem consigo entrar para ver meu filho. Se eu reclamar, é possível que coloquem ele na solitária com ratos e baratas, ou me castiguem deixando um mês sem visita. Tenho que entrar muda e sair calada".

Penitenciária de Araraquara (Foto: Manoela Marques/G1)SAP nega denúncias de parentes de presos
em Araraquara (Foto: Manoela Marques/G1)

Penitenciária
Em nota, a SAP informou que as denúncias são desprovidas de fundamento e lamentou que "exista visitante que se prestem ao papel de apresentar denúncias caluniosa na imprensa e depreciar o trabalho sério e profissional que está sendo desenvolvido na unidade".

Em relação à falta de funcionários, a secretaria informou que o concurso público para nomeações de 1.140 cargos de agente de segurança penitenciária (ASPS) está em andamento.

Atualmente o processo está na última etapa e a homologação do certame deverá ocorrer no segundo semestre de 2016.